domingo, 6 de maio de 2012

037 - Todo enrolado

Minhas queridas leitoras (es):

Esta coisa do real, é bem diferente do virtual...

Felizmente está tudo correndo dentro do esperado, nada de ruim aconteceu, a não ser a falta desesperada de tempo...

A primeira casa, que seria para provar o conceito, ficou pronta em dois meses e meio e ficou muito bonitinha (estou aguardando a finalização da pintura -empreitada à parte- para tirar as fotos oficiais... rss...).

Agora que o conceito foi provado, estamos na segunda fase - TEMPO.

A primeira foi construída só com um oficial e maior parte das vezes com apenas um ajudante... Dois meses e meio para tão poucas pessoas foi bom demais, mas nós queremos UM Mês...

Admiti mais um oficial e estou verificando se conseguiremos o prazo estipulado... Já concluímos o alicerce e marcamos a obra...

Acontece que isso exige muito de mim... O projeto sofreu alterações e tive de o rever totalmente e as coisas neste ritmo acontecem muito rapidamente... Os materiais, o projeto, as ferramentas experimentais, os gabaritos e os inesperados, se amontoam e tenho que dar as devidas soluções para não interferir no ritmo da obra... 

Vocês têm razão ao me chamar atenção sobre a minha qualidade de vida nesta fase, mas não tem outro jeito...

Eu sou assim, muito focado e coloco todas as minhas forças à disposição dos meus objetivos...

Para mim levantar às 5:00 da madrugada não tem qualquer problema, milhões de pessoas o fazem e não tem nada de extraordinário nisso, só não consigo me manter acordado quando sento para relaxar um pouco... rss...

Mas não se preocupem, está sendo extraordinariamente prazeroso...

A única mágoa que realmente carrego, é não conseguir tempo para vos escrever... Mas em breve tudo se resolverá com certeza...

Milhões de abraços e beijos para todos e até breve...


Mil desculpas, Filipe Melo




sábado, 24 de março de 2012

036 - 2a. Parte - Construindo uma cidade - Segundo dia


Segundo dia...

Sábado, 21 de Janeiro de 2012

Combinamos não chegar cedo demais, pois nada haveria para fazer, mesmo assim às 7:30h da manhã já estávamos no terreno...


O dia estava lindo, o sol se exibia em todo o seu esplendor e a temperatura logo começou a se elevar...

Felizmente aquela pequena árvore nos deu certo abrigo enquanto falávamos sobre as expectativas da obra...

Embora estas fossem imensas, por volta das nove horas da manhã o assunto estava esgotado e a ansiedade que as madeiras ou o tratorista chegassem começou a tomar conta de nós...

O telefone toca...

              Era Marcela da madeireira...

Se calhar necessitava de mais informações sobre o local de descarga...

                           Aqui é um pouco complicado de se chegar...

Depois de nos cumprimentarmos a notícia surgiu:

- Não iam poder fazer a entrega porque o caminhão não tinha conseguido efetuar todas as entregas do dia anterior e como tal, só segunda-feira a nossa mercadoria poderia ser entregue...


Meu Deus que catástrofe...

O material estava chegando e eu não tinha onde guardá-lo...

O universo estava conspirando contra mim... 

Ou será que alguém andou fazendo alguma macumbinha?... 

Neste Brasil há que pensar em todas as possibilidades...

Depois de tomar dois copos de água bem gelada para acalmar os ânimos, resolvi começarmos a furar as placas de MDF para ocupar um pouco a mente e escoar as tensões...

Até a máquina de furar estava contra nós e declarou-se arruinada após os primeiros furos...


Se carma existe, eu devo ter sido uma peste na minha vida anterior...


Tudo isso e o admirável sol, é claro, 
tinha aumentado em muito a minha temperatura e suava em bica...


A fim de evitar o ataque cardíaco eminente, resolvi ir ver se o tratorista tinha dado as caras...

Um pouco do ar condicionado do carro com certeza me faria bem...

Enquanto o encarregado José, arrumava as ferramentas e a decrépita furadeira, dirigi-me até ao carro...


Outra agradável surpresa... 


Não consegui entrar tal o calor que dele imanava...

A muito custo liguei o motor e o ar condicionado e aguardei do lado de fora que a temperatura daquele forno atingisse valores suportáveis...

Bem... Uma coisa pelo menos positiva aconteceu... 


O calor do dia estava tão elevado que a água do suor rapidamente se dissipou e deu lugar a uma sede angustiante...

Aquele lugar selvagem estava-me afetando...

Isto eu não tinha previsto isto em todos aqueles cenários no computador...


E a estória do sapo do filme “Uma verdade inconveniente” do Al Gore, não me saía da cabeça...

Para quem já não lembra, eu conto de novo:
Se colocarmos um sapo numa panela com água fria e a aquecermos muito lentamente, o sapo não sai, nem tenta sair e acaba morrendo cozido... Sempre achando que dá para agüentar...


Eu estava-me sentindo aquele próprio sapo... rss...

É claro que nesses momentos de pura reflexão negativa, também me lembrei das milhares de mortes (35 a 50 mil) ocorridas na Europa durante a onda de calor em 2003...

Às vezes a cultura atrapalha...

Voltando...

Quando a temperatura do carro baixou do nível de cozimento, lá fui eu dar uma volta pelo condomínio para ver se o tratorista estava fazendo algum trabalho em algum lugar recôndito, até que cheguei à portaria, onde a máquina retro escavadora jazia impávida e serena alheia a todos os meus sentimentos de raiva...

Já eram dez e meia e o mentiroso do tratorista não tinha aparecido...

Voltei para pegar o José e voltamos para casa... 


Um denso silêncio tomou conta do carro durante todo o caminho...


É claro que a voz da minha mulher teimou em ecoar vezes sem conta em meu toldado cérebro:

- Filipe porque te vais meter de novo em obra?... 

Porque não continuas trabalhando tranquilamente 
em casa e deixa isso para os mais novos?...


Chego em casa e vou descansar...
...


Português sonhador sofre...


Mas quanto maior o sofrimento, maior a glória...

Contando que sobreviva é claro... rss...



Não percam as novas aventuras...

                            O português sonhador sobreviverá?...




quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

035 - 2a. Parte - Construindo uma cidade - Saindo do virtual


Saindo do virtual...

Após umas férias magníficas em Gramado e Canela – Rio Grande do Sul – voltei à minha dura realidade...

Já faz muito tempo que não saio de casa para trabalhar...

O tempo aqui no Rio ainda está um pouco instável e acabo adiando por uma semana o início da obra...

Estou  morrendo de medo...

Quase chego a pensar em abortar a empreitada...

É muita responsabilidade...

Estamos agora a falar em obra real, com cimento, areia, pedra, pó, sujeira, e outros bichos...

Isto num ambiente totalmente selvagem, não mais o meu confortável e climatizado escritório...

Deixar o meu habitat virtual e emergir no rude e rústico ambiente real...

Meus amigos e familiares não entendem bem o porquê de tal loucura, e eu quase começo a dar-lhes razão...

As chuvas terminaram e o rei Sol exibe-se em todo o seu esplendor...

Estamos em pleno verão – Rio 40 Graus...

Encho-me de coragem e dou inicio às encomendas de material...

Agora não tem mais volta... (vulgo “ferrou”...)

Neste tipo de obra 70% do material é adquirido logo no início, e como se trata de uma pequena casa, tenho que agrupar as compras para que os montantes sejam significativos para darem lugar aos respectivos descontos...

Pormenor: convém não errar muito... rss...

A primeira coisa a fazer é o barracão (até parece escola de samba... rss...).

Encontrei o fornecedor bem distante da obra, mas ele só entrega às sextas-feiras...

Não seja por isso... Aqui o problema torna-se solução...

Está encontrado o dia do início da obra: próxima sexta-feira - 20 de Janeiro 2012, dia de S. Sebastião padroeiro da cidade do Rio de Janeiro...

Aqui no Rio o horário da construção civil, quando não se deseja trabalhar aos sábados, é das 7 às 5, o que significa que tenho de sair de casa às 6:15...

Coloco o despertador para as 15 para as 5, ou cinco menos um quarto se preferirem e tento dormir...

É claro que às duas da madrugada já estou desperto e fico revendo todo o projeto, para verificar se ainda subsistem algumas falhas...

O despertador finalmente toca e levanto-me de sobressalto para encarar aquele dia tão especial...

Já no carro e com os pensamentos a mil ao entrar na via principal vejo que está com transito muito intenso beirando o caos...

Um pequeno pormenor havia me passado despercebido:
- Como é feriado na cidade do Rio e o sol está brilhando em toda a sua magnificência, parece quase o êxodo dos judeus do Egito... Os cariocas fazem fila na estrada para a região dos Lagos, que por acaso é a mesma que dá acesso ao condomínio onde vamos construir...

Em Manilha o transito chega a parar e vejo-me na obrigação de ligar para o encarregado avisando que irei chegar atrasado...

Muito bonito... Atrasado no primeiro dia de trabalho... E eu que detesto chegar atrasado...

O dia não está começando muito bem...

Felizmente aquela paragem não foi muito demorada e mesmo com o transito muito pesado consegui chegar dentro dos dez minutos de tolerância plausíveis...

Logo na chegada mais uma má novidade apareceu:

Um dos serventes não tinha aparecido...

Segunda má notícia do dia e ainda nem havíamos iniciado a obra...

Será um mau presságio?...

Estava eu, o encarregado José, e um servente, frente a um lote vazio onde somente subsiste uma pequena árvore...

Foto 01 - nosso lote e a construção do lote vizinho...

Um lindo dia estava acabando de nascer e o calor já se fazia sentir...

O grande dia finalmente tinha chegado e estava na hora de iniciar os trabalhos...

Enchi meus pulmões de ar e declarei:

Vamos ao trabalho meus senhores...

A tarefa do dia seria fazer o barracão para termos lugar para guardar as ferramentas pesadas, cimento e outros materiais, um banheirinho (que ninguém é de ferro) e uma parte coberta com bancada destinada à execução de pequenos trabalhos e nos fornecer abrigo nas intempéries...

Maior parte do material dependia daquele fornecedor que só entregava às sextas-feiras e que nos levou a iniciar a obra naquele dia.

Como o material só chegaria durante o dia, começamos a demarcar o terreno e a marcar o posicionamento do “radier” (alicerce em forma de laje) onde iríamos erigir a casa.

Marcamos também o lugar da fossa e do filtro anaeróbio (que funciona sem deixar entrar o ar) e o servente pôde começar a cavar os respectivos buracos...

O Sol estava de matar passarinho em pleno vôo...

Era o dia mais quente do ano até ao momento... 

Minha pele sensível e totalmente desabituada de tais agressões solares, ardia feito peixe em óleo fervente e a sede era de matar...

Felizmente o experiente encarregado tinha previsto tal situação e havíamos levado alguma água gelada, mas que logo acabou...

Saí para comprar água e adquirir no mercado local alguns materiais...

Na volta, vi que o caminhão de pedra estava chegando e encomendei também um caminhão de areia.

Infelizmente a capacidade dele era menor que havia previsto e vi que teria de encomendar um pouco mais depois...

A madeira para fecho do barracão – MDF – havia chegado, mas o principal ainda não... Isso é demais para mim, rss...

O servente continuava cavando o solo...


Depois de escassos centímetros o solo ficou bem duro... 
Muito bom para o alicerce, péssimo para quem tinha de cavar um buraco de um metro e outro de dois...

Disse-lhe para ir devagar... Que o Sol estava muito intenso e ele teria que fazer algumas pausas para se hidratar e fugir daquele sol impiedoso...

Eu me refugiava na sombra sempre que possível e mesmo assim já estava com a minha pele pegando fogo e totalmente exausto...

Era por isso que tinha contratado dois serventes... Numa situação destas a divisão do trabalho resolveria o problema... A falta de um deles,  fez com que este ficasse ali isolado, debaixo daquele sol e com certeza não iria agüentar por muito tempo.

Eu e o José batemos o nível do terreno e mais um imprevisto surgiu...

Era necessário nivelar o terreno e a quantidade de terra a mover-se era significativa...

Perguntei ao meu fornecedor local se me poderia arranjar 3 serventes e ele disse que segunda-feira estariam na portaria do condomínio à minha espera...

Numa obra as decisões necessitam de ser quase imediatas, senão o ritmo se perde e a coisa desanda...

Trabalhar sob um sol violento já é difícil, imaginem se não damos ritmo à obra?...

O material não pode faltar, e sempre temos de ter tarefas alternativas – parar é morrer...

O encarregado sugeriu que o homem da máquina retro-escavadora ao passar de manhã tinha-se posto à disposição...

Não pensei duas vezes e fui falar com ele...

Excelentes notícias, por cem reais ele faria o serviço no final do dia e ainda cavava aquele imenso buraco que nos estava angustiando...

Mandei o servente parar, liguei para desmarcar os 3 ajudantes e pedi só dois...

Afinal aquele contratempo talvez se voltasse a nosso favor, pois aquele buraco estava-me preocupando demais...

Tive a infeliz idéia de ir almoçar em casa, pois queria aproveitar e pegar mais alguns elementos do computador, mas tornou-se num grande erro...

Aquela via que de manhã estava um caos, agora estava bem ordenada, mas totalmente parada...

Aproveitei para ligar para a menina da madeira e ela me disse que o caminhão já tinha saído e que a qualquer momento estaria chegando na obra...

Após ter tentado um caminho alternativo que não deu em lugar algum, fui por outro onde o transito estava um pouco melhor... Nessa brincadeira perdi quase duas horas e a minha paciência, é claro...

A madeira não tinha chegado ainda e nada mais se podia fazer... O pior estava acontecendo: os homens estavam parados...

Mas se a máquina viesse no final da tarde recuperaríamos esse tempo perdido...

Por volta das quatro horas voltei a ligar para a madeireira, foi quando a menina me disse que afinal a madeira não pôde seguir porque um caminhão tinha se quebrado, mas que no dia seguinte, pelas primeiras horas ela estaria na obra sem falta...

Eu fiquei doido... Iniciamos a obra naquela sexta-feira por causa daquele fornecedor e agora, só às quatro horas da tarde a menina me diz que eles não vão poder entregar a mercadoria... É claro que a menina teve que ouvir algumas verdades e pedir algumas desculpas...

Mais um revés, e desta vez dos grandes...

O objetivo do dia tinha ido para as “cucuias”, e estávamos ali os três com cara de palermas olhando uns para os outros à espera da famigerada máquina...

Mas se ele viesse pelo menos algo se iria resolver...

Dá cinco horas e a expectativa aumenta... Já perto das cinco e meia e em estado de choque, pego no carro e vou ver se encontro o homem da máquina...

Novidade: Ele tinha-se ido embora... 


Fiquei furioso, mas um dos homens que estavam na portaria disse-me que no dia seguinte ele estaria no condomínio para fazer alguns trabalhos particulares...

A esperança é a última que morre e como tínhamos que lá ir no dia seguinte para receber a madeira, talvez se encaixa-se de forma bem deformada... Talvez os defeitos se tivessem transformado em feitios...

Voltei para o lote meio cabisbaixo e dei a triste notícia para o pessoal...

Protegemos o material que chegou com um plástico, pedimos ao vizinho para ficar de olho e viemos para casa...

Conclusão:

Depois de meses e meses de projeto e preparação o primeiro dia foi um verdadeiro DESASTRE...

Voltei para casa com um sorriso bem forçado, e depois do banho apaguei no sofá após de ter ingerido um pequeno sanduíche...

Sonhador sofre... rss...
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Será que o sábado vai compensar todas essas desventuras?...

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Não percam as novas aventuras do português sonhador metido a pedreiro... rss...


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

NOTA:
Embora eu esteja recebendo os vossos comentários eles não estão aparecendo no blog...
Creio que o problema seja do soft do BLOGGER...
Estou abrindo esta nova postagem para que possam postar vossos comentários aqui...


Até breve...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Melhoras para a D. Penha...


Minha (nossa) querida amiga Maria da Penha,

Fiquei inicialmente muito triste quando soube dos resultados de seus exames, mas logo vi que estava no caminho errado...

Nós sempre temos à nossa frente vários caminhos à nossa escolha e cabe-nos a nós decidir qual trilhar...


Em vez do negro e triste caminho da tristeza, 


resolvi seguir o iluminado e resplandecente caminho da esperança...


Pessoalmente verifiquei que o ultrapassar deste tipo de obstáculos, que nos surgem durante esta nossa breve estada neste glorioso mundo, em muito depende do quanto nós realmente queremos continuar a jornada e um pouco é claro, 


de quantas luzes ainda se mantêm acesas em nossa árvore da vida...



Então minha (nossa) querida amiga, se realmente considera que nos deve continuar brindando com a sua sabedoria e presença, lute com todas as suas forças, que com certeza ultrapassará mais esse obstáculo que surgiu em seu caminho...


E pode contar com a força de toda esta linda família em que acabamos nos transformando... 

E nunca se sinta sozinha, pois nunca o estará de fato...


Mas outra coisa necessita de saber, para todos nós você sempre será eterna, pois sempre estará em nossos pensamentos, independentemente dos desígnios desta vida...

Acredite em si e na sua fé, que com certeza tudo voltará a ficar bem...

Com todo o carinho, 

                                     Filipe Melo



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Domingo, 05 de Fevereiro de 2012

Acabei de ver o filme abaixo e é claro que me lembrei da nossa querida amiga Maria da Penha e de todos os que sofrem com este terrível mal que assombra a nossa sociedade.

É mais uma nova arma (pelo menos para mim) que surgiu e que poderá ser uma última opção em certos tipos de câncer...

Todos estamos muito felizes ao verificarmos que a nossa experiente querida está passando bem e que os efeitos secundários normais do tratamento que está efetuando, não a estão maltratando demais...

Estamos com certeza diante de um grande exemplo de vida...

Sem dúvida um grande farol para orientar nossas vidas...

Mais uma vez parabéns...

O filme:
Infelizmente está em inglês, mas dá para usar o sistema de tradução de legendas... Não funciona a 100%, mas ajuda bastante...



TED é um canal que recomendo, pois são pequenas palestras sobre todo o tipo de temas, apresentadas pelas pessoas mais brilhantes do nosso planeta... 
Sempre dá para aprender algo...


Nota:
Continuo enrolado demais, mas isso não é mais novidade... rss...
Já conclui o alicerce e vamos iniciar a alvenaria... 
Desejem-me sorte, que vou necessitar um pouco dela... rss... 




sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

034 - 2a. Parte - Construindo uma cidade - O caminho...


Minhas queridas leitoras (es),

Primeiro quero agradecer e retribuir a todas (os) vocês, os votos de boas festas e de boas entradas nesse novo ano que já nos espreita...

Que seja um novo ano com muita paz, tranqüilidade, saúde amor e alegria. Estes são os meus votos para todo o ser vivente deste imenso e belo planeta a que chamamos de Terra...

....................

Em "breve" responderei a todos os cometários efetuados...

...................



Eu sei... Desta vez pareceu mesmo que vos tinha abandonado, mas a realidade é um pouco diferente...

Não vou tentar me desculpar, pois vocês já conhecem todas as minhas desculpas (esfarrapadas é claro)... rss...

Mas, pelo menos vou me tentar justificar...

Este projeto tomou grandes proporções na minha vida e atualmente estou dedicando todos os meus esforços em torná-lo realidade...

Eu já expliquei mais ao menos, numa resposta que dei a uma de nossas leitoras, mas vou tentar explicar-vos melhor...

Afinal como fazer uma cidade?...

Esta era a questão para a qual eu tinha que encontrar uma resposta...

Eu sei que parece coisa de doido (e muito provavelmente será... rss...), mas essas pequenas coisas nunca me impediram de continuar o meu caminho...

Para mim nada é demasiado pequeno ou grande demais...

A grande questão é, e sempre será, encontrar o caminho, a solução, depois é só percorrê-lo...

Eu não estou dizendo que mesmo assim será um caminho fácil, mas será um caminho com direção, com principio, meio e fim...

Bem, mas a questão permanece... Como fazer uma cidade?...

Os emirados Árabes pegaram em 22 bilhões de dólares e estão construindo uma...

Pormenor... Eu não tenho 22 bilhões de dólares...

Tudo bem, só faltam os tais dos “bilhões”, já que os vinte e dois dólares ainda dá para arranjar... rss...

Então como resolver?...

Para tornar a coisa mais interessante, (ou maluca, como preferirem...), como se o desafio não fosse suficientemente grande, meti na minha cabeça, que não usaria o meu dinheiro, só o mínimo necessário, e estabeleci como meta um investimento máximo de dez mil reais...

Agora a pergunta é:

Como fazer uma cidade com dez mil reais?

Impossível... Será a resposta obvia...

Eu penso um pouco diferente...

Considero que o ser humano monetariza demasiado a vida e deixa de ver o que realmente importa – as idéias...

Se a idéia for realmente boa, com certeza sempre haverá pessoas dispostas a investir...

Então, o importante mesmo não é necessariamente o dinheiro, mas sim idéias credíveis...

Tudo bem, até aqui fui bem, mas será que há alguém pronto para investir numa cidade, e ainda por cima numa cidade verde?...

Com certeza, que sim, mas teria que ser um projeto a nível governamental e iria encontrar muitos adeptos...

Um esforço conjunto de todas as universidades, promovendo e desenvolvendo idéias, seria fantástico...

Se levado a sério e com honestidade...

Mas todos nós sabemos, a política neste país (e suponho que em todos os outros), não é tão séria e honesta o quanto gostaríamos que fosse e portanto esse caminho está totalmente fora de cogitação...

Bem, se o caminho certo e lógico está vedado, quais as alternativas que temos?...

Essa coisa de verde é muito bonita, mas não dá dinheiro a ninguém, aliás, todo o mundo diz, que é muito caro e por isso não podemos sequer pensar nisso...

Atualmente, mesmo sendo um assunto quase do dia a dia, ainda é visto como um movimento de gente “meio fresca”, que quer aparecer ou estar na moda, quais profetas apocalípticos, mas nada muito sério, pois com certeza que se fosse assim tão sério os governos já estariam tomando as devidas precauções...

Mesmo que algumas das profecias já façam parte do nosso quotidiano:

- Elevação da temperatura na terra com conseqüências desastrosas nas enchentes, secas, tempestades e tufões...

- “Tsunami” passou a fazer parte do nosso vocabulário depois da virada do século...

- Apagões, já viraram rotina...

- Elevação dos preços dos combustíveis para patamares nunca previstos...

- Recessão e depressão nas maiores economias do mundo (USA e UE)...

Parece que não são ainda o suficiente para uma tomada de consciência global e prioritária...

E o pior, é que ameaça parar com a chamada roda da vida (econômica é claro), ao afirmar que temos de parar com o consumo desenfreado...

O consumo leva a produção e esta leva ao emprego, e sem emprego ninguém vive...

Esta é a roda da vida da nossa civilização e que se continuar assim rodando nos irá atropelar e com certeza nos levará à morte...

Quando ela pára entramos em recessão e quando ela dá marcha a ré é a chamada depressão...

A grande diferença é que esta depressão não tem “prozac” que dê jeito...

Como ela é totalmente insustentável, gerando um desperdício anual de 730 milhões de toneladas de lixo e deglutindo trilhões de litros combustíveis fosseis diariamente e finitos (tic... tac... 2059), sabemos que o fim se aproxima, mas como está a quinze ou vinte anos de distancia, o ser humano não consegue visualizá-lo como real ameaça, e continua aguardando um milagre tecnológico que nos salve do precipício que alguns insistem afirmar que se avizinha.

Como vêm os ventos não estão soprando muito a nosso favor, mas (e este “mas” é muito importante...) se conseguirmos dar a volta à questão, encontrar um foco importante, talvez haja uma pequena luz no fim nesse imenso e obscuro túnel...

Muitos de vocês estão-se perguntando:

- Mas terá alguma coisa mais importante que o fim da raça humana?...

Tem sim, por incrível que pareça...

Se perguntarmos a todo o mundo se quer investir em algo que pode ajudar o futuro da sobrevivência da raça humana, ou ganhar um dinheirinho agora, elas não hesitam e logo perguntam:

- Mas afinal como eu posso ganhar essa graninha extra?...

O caminho é esse...

É só transformar o verde em dinheiro, que todo o mundo vai querer...

A velha ganância continua emanando o seu chame, o seu canto das sereias...

Então é só transformar a cidade num negócio rentável que tudo se resolve?...

Mais ao menos, não é assim tão fácil...

Já encontramos o caminho, agora falta encontrar o “como” trilhá-lo...

Por melhor que seja o negócio de se construir uma cidade, os riscos são imensos, então temos que os reduzir...

Negócios com risco zero não existem, mas com baixo risco existem muitos...

Pensemos...

Para se construir uma cidade, teremos que construir edifícios e ruas...

Maior parte desses edifícios serão residenciais é claro...

Então estamos falando de casas ou apartamentos...

Como a construção civil é uma atividade econômica que dá lucro, está quase tudo resolvido...

O quase, aparece aí, porque uma coisa é construir uma casa normal e outra é construir uma casa sustentável...

Mas será que existe mercado para as casas sustentáveis?...

Com certeza que sim, desde que não sejam muito mais caras e funcionem bem...

Um dos problemas sérios de muita das soluções sustentáveis, verdes ou ecologicamente corretas, é que maior parte delas ou não são práticas ou não existem infra-estruturas funcionando de forma a torná-las viáveis...

Eu vou-vos dar dois exemplos:

Coleta seletiva do lixo...

Será que alguém acha prático o convívio com 2, 3, 5 ou mais caixotes do lixo diferentes em casa?...

E como se isso não bastasse, anda temos o problema do transporte desse mesmo lixo separadamente e o seu armazenamento...

Engarrafar o óleo usado é uma tarefa plausível, mas tem alguém o recolhendo?...

Ou esperam que a dona de casa após um dia de trabalho exaustivo e depois de:
- Pegar as crianças correndo na escola, fazer de jantar, lavar a louça, dar banho nas crianças, pôr a roupa para lavar, passar a ferro enquanto vê a tele-novela, dar um jeitinho na casa...

Ainda vá ferver soda caustica (que por acaso só emite vapores tóxicos) para transformar o óleo usado em sabão?
..................

Quando analisada desta forma, que é a forma correta, é a realidade da vida, com certeza que o tal verde, logo vira vermelho de raiva...

...............

Então temos que fazer primeiro uma casa modelo, onde testaremos todas as propostas sustentáveis para depois a transformarmos numa proposta comercial rentável...

Custo aproximado: 300 mil reais...

Como este valor se situa um “pouco” acima do meu orçamento previsto, comecei a pensar em formas de angariar esse montante...

Um outro aspecto que temos que resolver, é a questão do tempo...

Para construir uma cidade de 50 mil habitantes, pelos meios normais existentes seriam necessárias milhares de pessoas e muito tempo...

Então se conseguíssemos resolver alguns dos problemas que assolam a construção civil aqui no Brasil, com certeza que aumentaria muito as chances de tornar viável o nosso projeto.

Esse assunto já fazia parte dos meus pensamentos e eu já tinha identificado um dos maiores problemas da nossa construção civil, só necessitava de tornar as minhas idéias numa experiência prática...

Após ter resolvido o principal problema, todos os outros foram resolvidos de forma simples e usando os recursos já existentes no mercado...

Mas uma coisa interessante aconteceu...

Quando os dados começaram a surgir, reparei que conseguiria construir uma casa (50m2) em um mês e que mesmo não poupando em mais nada, a redução de mão de obra em conjunto com o retorno do capital, transforma esta atividade muito rentável e ao alcance de quase qualquer um...

Eu explico melhor:

Mesmo que a casa custasse tanto quanto qualquer outra, só a redução de tempo já a transformaria num excelente negócio, vejamos:

Uma casa demora a construir, de 6 a 12 meses...

Então se a vendermos por 100mil e tivermos um lucro bruto de 20%, ganhamos 20mil reais nesse período, ou seja de 1.700 a 3.300 reais por mês...

Mas se ela demorar a construir só um mês, ganhamos os 20mil reais num mês...

Viram a diferença?...

Se a isto somarmos, sem lixo e sem desperdício, logo vemos que encontramos algo de grande valia financeira...

É claro que a redução drástica na mão de obra também acaba influindo bastante no preço final, mesmo tendo-se lançando mão de algumas técnicas e materiais um pouco mais dispendiosos...

O próximo passo foi patentear a idéia...

Depois disso iniciei as experiências para realizar o meu invento e as coisas começaram a ficar meio complicadas...

Quando vi que o processo ia ficar muito dispendioso, procurei outro caminho e obtive o que necessitava...

É claro que o processo acabou consumindo bastante tempo e gastando um pouco de dinheiro...

Mas sobrevivi... Fantástico...

Iniciei a fase de publicidade... rss...

Fiz alguns filmes e um montão de planilhas e então liguei para um grande amigo de longa data...

Acordamos construir então uma casinha para testarmos os princípios e vermos se no fim, as coisas correspondem minimamente com o previsto...

Ele acabou trazendo outro amigo que por sorte é advogado e está me ajudando tratando de toda a papelada...

Eles então estão investindo e eu fazendo todo o resto...

Eu não disse que se a idéia fosse boa o investimento logo apareceria?...

Mas (eu sei que os meus “mas” são terríveis às vezes...) nem tudo são flores...

O método construtivo, embora com base em materiais tradicionais, obriga a um projeto executivo super minucioso e de excelente qualidade...

Mas afinal o que muda? Qual a grande idéia...

Nada demais, aliás não trás nada de novo...

Trata-se da industrialização da construção civil...

Mas isso já não existe?...

Existe sim, mas só no nome...

Com exceção de alguns métodos construtivos existentes no Brasil, o grosso da indústria da construção civil de indústria não tem nada...

Ela continua sendo totalmente artesanal, por isso não existem certezas, nem prazos... É tudo na base do mais ao menos, do talvez e do “não se preocupe que sai na massa”...

Aquela crônica bem humorada que fiz é muito real...

Mas então como industrializar a construção civil?...

E se, tal como acontece com a indústria automobilística, em vez de construirmos passássemos a montar?...

Imaginem a montagem de um kit – um kit casa... Eu já vos havia falado que seria um puzzel (quebra cabeças) – só que este é bem grande, tem cerca de sete mil peças e todas terão que encaixar perfeitamente...

Assim dito fica bem fácil, mas...

Todas as rosas têm os seus espinhos...

O projeto é bem sensível a mudanças...

A última, o fabricante do bloco não conseguiu cumprir com uma das especificações acordadas, ele disse que era só um milímetro em cada meio bloco, ou dois no bloco inteiro...

Realmente uma insignificância, mas esse milimetrizinho somado em quarenta meios blocos dão quarenta milímetros, ou seja quatro centímetros...

Conclusão, as medidas dos canos, fios, conduítes, inclinação do telhado, etc., foi tudo para as cucuias, e tive que refazer todo o projeto...

O projeto do telhado já foi feito e refeito várias vezes vou ter que o rever pela última vez, pois só agora encontrei o fabricante...

E é no meio desta loucura que eu me encontro...

Acesso todos os dias ao nosso blog e fico doido para vos escrever, mas está difícil mesmo...

Já cheguei inclusive a escrever duas resenhas, mas não ficaram muito boas devido ao meu grau de comprometimento para com o projeto...

A responsabilidade é muito grande...

Na minha conturbada cabeça, o futuro da nossa cidade verde depende muito dessa experiência...

Mas a realidade é que eu me cobro demais, sou terrivelmente perfeccionista e é claro, o estresse acaba aparecendo...

Hoje acordei às quatro horas da madrugada para fazer um trabalho para um cliente e comecei a escrever, pois o Natal está aí na porta e eu não podia deixar de o fazer, mas por volta das onze horas acabei adormecendo pois o cansaço se fez sentir... Uma hora depois fui acordado pelo cliente me cobrando o trabalho e para me desejar boas festas...

Vida de português sonhador não é fácil... rss...

Para ajudar a festa, vou viajar durante a primeira semana de janeiro, visitando de novo o Sul do país que eu tanto gosto, talvez até encontre algumas de vocês que moram nesse paraíso, e como quero iniciar a construção (montagem) em Janeiro, as coisas estão ficando meio que apertadas para mim...

Espero iniciarmos esta empreitada na terceira semana de Janeiro e terminarmos em Fevereiro...

Se tudo der certo, então duas coisas acontecerão:

Vou tentar fechar em regime de permuta uma área para a construção de 50 a 100 casas...

Iniciarei a venda dos kits para construtores.

Organizar essa nova empresa, e colocar tudo em pleno funcionamento deve demorar cerca de um ano...

Com a construção das 50 casas devemos capitalizar o suficiente para iniciarmos o desenvolvimento da nossa casa sustentável...

Essa prazerosa tarefa, irá tomar-nos mais um ano e renderá com certeza muitas e boas estórias...

Depois disso, tentaremos fazer um pequeno bloco residencial de doze apartamentos para vender, usando todo o conhecimento acumulado...

Mas desta vez já serão apartamentos de três quartos, como os previstos na nossa cidade verde...

Esse núcleo quando repetido três vezes dá lugar ao edifício que integra os nossos condomínios da cidade verde...

Talvez a questão do fogão solar, não possa ser desenvolvida de imediato, ficando para mais tarde a sua implantação.

Se tudo correr como o previsto e as pessoas realmente aprovarem o tipo de construção, partiremos então para a construção de um pequeno condomínio com um edifício de 48 apartamentos com uma boa área de lazer e se possível com hortinha e pomar...

Aquecendo os tamboris...

O próximo passo será a construção do nosso primeiro condomínio usando o modelo da cidade verde, com quatro edifícios, grande horta, grande pomar, excelente área de lazer e com todos os aparatos de sustentabilidade em funcionamento...

Se eu conseguir chegar até aqui, vou considerar o meu sonho totalmente realizado...

Mas se forças ainda tivermos, continuaremos e o próximo passo será a construção de um bairro com seis condomínios iguais e o edifício central com supermercado, lojas e salas...

A cidade verde é claro, será o último e derradeiro passo...

Agora vocês podem ver e sentir o porquê do meu estresse com esta pequena casinha...

Ela até pode ser pequena, quase insignificante eu direi, mas os resultados serão realmente muito grandes, pelo menos para mim e para os meus sonhos mirabolantes é claro...


Até breve...